Notícias Ao vivo da Associação Anapolina de Skateboard

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

O andar de skate e os seus arredores



Nessas férias, após 380 dias distante, eu voltei a andar de Skate. Dentre outros motivos desse extendido hiato foi a pragmátic falta de uma tábua, aquela peça sobre a qual apoiamos nosso pé e executamos as manobras. Eu havia quebrado a anterior do meu skate no dia do reveillon de 2006. Desde então nao havia comprado outra. Acontece que antigamente com trinta reais você tranquilamente comprava uma boa tábua, e hoje com esse mesmo montante você consegue no máximo pagar a primeira das duas parcelas da sua tábua nova. As coisas mudaram.

No meio do mês de Janeiro fiquei sabendo que o pessoal, como se diz, das antigas estava se reunindo e voltando a andar. Estavam filmando e até colocando vídeos no youtube. Então, resolvi comprar logo outra tábua e acabar com essa frescura. Fui até a Opze e comprei pelo dobro do preço que estava acostumado a pagar há dois, três anos atrás. Os produtos vinculados ao skate tem encarecido muito. Um dos principais fatores para isso foi a descoberta do Skate pela grande mídia. Hoje consigo ver até campeonato de skate no programa Globo Esportes, das manhãs de sábado. Não podia se pensar nessas possibilidades há 4 anos atrás. Nessa época somente nos canais pagos é que conseguíamos assistir a pelo menos 5 minutos de skate na televisão. Isso quando tínhamos um pouco de sorte. Era tão rápido que eu gravava tudo que via pra ficar re-assistindo. Hoje com essas facilidades de DVD e YouTube, as coisas parecem estar um pouco diferente.

O skate está mesmo entrando na moda. Até a Nike, isso mesmo, a Nike do Michael Jordan resolveu investir no esporte. Certamente, percebendo o potencial lucrativo do esporte resolveu lançar uma linha de produtos para o esporte que outrora sempre foi marginalizado e sobrevivia com marcas surgidas em fundo de quintal. É, a coisa está mesmo diferente.

Voltando ao assunto. No primeiro dia fui andar na Rodoviária. O Paulinho continua montando suas pistas. Quando comecei era no estacionamento do Shopping e desde então já deve ter ocupado outros 3-4 lugares e agora está de volta a rodoviária. A pista é muito rápida. Apertada. Quase todas as pistas são assim. Porém, o pessoal estava empolgado nesse dia, chegaram até fazer uma aposta para ver quem manda a melhor manobra num determinado período de tempo. Outro característica do capitalismo influenciando o esporte: a concorrência. Eu que já sentindo um pouco da velhice como os caras falam, cansei muito rápido. E nao é porque eu estava sedentário, corri e nadei durante o semestre inteiro. Mas, parece que pra cada esporte é uma preparação física diferente, um jeito diferente das nossas células consumirem oxigênio. Ou como disse o Pardal - eu estava é com a carne dura!

Demorei a conseguir levantar da cama no outro dia. As pernas doíam. E mesmo assim, só esperei o início do entardecer e rumei-me para a praça Dom Emmanuel. Lá a sessão é mais tranquila. Não precisamos pagar, temos mais espaço, e os obstáculos ficam sob a sombra de umas mangubas enormes.

Ontem, andei mais uma vez. Dessa vez havia combinado com o Fred. Na verdade ontem mais conversei do que andei de skate. Aí me dei conta que esse negócio que chamamos de andar de skate é muito maior do que ir até a pista e mandar umas manobrinhas. Skate é uma forma de se reunir socialmente. Sempre antes ou depois de andar, nos encontramos com pessoas e conversamos, ouvimos histórias, nos divertimos, falamos da vida, da faculdade, das mulheres. Enfim, estreitamos laços a partir de um interesse comum: o skate.

O tempo passa, uns continuam na mesma vida, de cerveja e cigarros, outros casam, outros mudam para os Estados Unidos, outros resolvem estudar e entram na Faculdade. Vários colegas estão cursando faculdade, e isso me deixa bem contente. E mais contente ainda fico quando um deles nos convida para sua colação de grau. É o Marquinhos, o Marcos Honorato, que está se formou em Engenharia Civil. Ele quase foi fazer mestrado na Rússia e agora vai colar grau e está na pilha de fazer mestrado e seguir carreira acadêmica. Amigo do skate e futuramente colega de profissão. Fui lá na colação. Super bacana. Ele estava bem feliz, também pudera. Depois fomos até a sua casa, que fica no extremo oposto do ponto de vista geográfico da minha. Sua mãe pediu uma dúzia de pizzas, comemos bastante e jogamos Tony Hawk.

Um comentário:

pedro disse...

Ja lancei no muro ...
Rasguei no caderno ...
falhei na pele skate board...
♥♥♥Amor eterno♥♥♥